Wednesday, March 24, 2010

*Epílogo...

Ao longo da minha vida cresci a ouvir que pelo facto de serem pais, isso já garantia que adoravam os seus filhos: tretas… Posso estar a ser radical ou até imatura mas quem me pode dizer que uma pessoa me adora se nunca fez nada que o comprovasse? É um dado adquirido apenas porque tenho genes dessa pessoa? É garantido que gosta de mim apenas porque as nossas cadeias polinucleotídicas de ADN são semelhantes? Como posso sentir que me adora se nunca me perguntou se alguma vez cai na escola; se alguma vez me senti sozinha; se alguma vez fui recriminada pelos meus conviventes (banalmente chamados de amigos) por ter um pai diferente dos deles; se alguma vez vi chorar a minha mãe por estar cansada de tanto lutar por garantir o meu futuro; se alguma vez me questionei sobre o que realmente sou…

Não sou ninguém para recriminar o meu progenitor nem muito menos a vida que ele escolheu. Mas sinto-me no direito de reclamar a falta que senti de um pai…

Não de um homem que marcasse a sua presença na mesa ao jantar, mas de um pai que me fizesse sorrir nas alturas mais dramáticas, utilizando apenas um olhar reconfortante…
Sei, perfeitamente, que nem todos os seres humanos foram “talhados” para serem pais e também sei que não é fácil ser-se pai (pelo menos tenho essa noção); mas isso não retira a responsabilidade de um pai que pelo menos deveria tentar por ser algo diferente...

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1 comment:

Anonymous said...

Minha Querida Joaninha, menina tão linda, que eu tanto admiro. Mesmo que não valesse a pena mais nada, valeu MUITO o momento que os teus pais se encontraram para te conceber. Foi também o teu pai que colaborou para o facto de existires.
Só por isso, e perdoa-me o meu egoísmo, valeu a pena!
Beijinhos
Ana Sentieiro